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Depressão Infantil

Depressão Infantil

Seu filho pode estar triste sem que isso indique um problema, mas a depressão infantil existe e vamos falar dela nesse artigo.

A maioria de nós costuma associar a infância como uma época de muita alegria, repleta de boas memórias, muitas vezes chamada de “melhor fase da vida”. Sem as mesmas preocupações da vida adulta, descobrindo o mundo e com muitas brincadeiras na rotina, a infância deve mesmo ser uma fase de segurança e felicidade, mas nem sempre é assim.

Embora ainda não se fale muito sobre o assunto, é cada vez mais comum crianças que sofrem com a depressão. Em 2015, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que o transtorno depressivo era a principal causa que impedia jovens de 10 a 19 anos de realizarem tarefas do dia a dia. Embora não existam dados estatísticos no Brasil, no mesmo ano a estimativa era de que entre 1% e 3% da população de 0 a 17 anos sofria com esse problema – isso representa cerca de 8 milhões de jovens brasileiros.

Origem e Problema da depressão infantil

Mas de onde vem esse problema?

Tanto fatores externos quanto genéticos podem influenciar no surgimento da depressão infantil. Na prática, qualquer gatilho pode levar ao aparecimento de transtornos mentais. Gatilhos são experiências ou situações frustrantes pelas quais a criança passou, como morte de um parente, abandono, bullying na escola, separação dos pais, alteração no padrão de vida, abusos psicológicos ou físicos e mudanças bruscas (de casa, de escola, de cidade).

Os hábitos também afetam a saúde emocional das cianças. O estilo de vida das crianças de hoje é bem diferente do que há algumas décadas. Elas têm compromissos o dia todo, o que aumenta o estresse, passam menos tempo com os pais, dormem mais tarde, passam muito tempo em ambientes fechados (shopping, apartamento), sem falar no uso excessivo de aparelhos eletrônicos, que pode restringir o contato social e aumentar a ansiedade.

Fator Genético interfere?

O fator genético também tem seu papel, já que foi cientificamente comprovado que a ocorrência de depressão em outros familiares aumenta significativamente as chances da criança desenvolver algum transtorno mental. Quando quem sofre de depressão é a mãe ou o pai, essa probabilidade pode ser até cinco vezes maior.

Há ainda o fato de que a ocorrência de um distúrbio psiquiátrico, como de ansiedade ou de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) que são uns dos mais comuns em crianças, pode aumentar as chances de desenvolver a depressão infantil.

Bom e mau comportamento

depressão infantil

É falarmos que uma criança quieta é bem-comportada, enquanto classificamos crianças mais agitadas como problemáticas ou mal-educadas. Entretanto, o que parece ser bom comportamento também precisa de observação cuidadosa, pois os extremos – crianças agitadas ou quietas demais – podem ser uma forma de pedir ajuda.

Enquanto a inquietação reflete a dificuldade em ficar tranquilo, a reclusão pode indicar dificuldade para se abrir ao mundo e se relacionar com as pessoas. A depressão infantil ainda pode ter como sintomas a irritabilidade e a agressividade, que muitas vezes são confundidos com desobediência ou birra, o que dificulta ainda mais notar o problema.

Os casos de depressão infantil e outros transtornos muitas vezes são mais difíceis de perceber, também porque as crianças não têm a mesma capacidade dos adultos de expressar seus sentimentos e emoções. Por isso, os pais precisam ficar atentos a mudanças de comportamentos nos filhos.

Ansiedade x Depressão

Muitas vezes as pessoas confundem depressão e ansiedade. Esses dois problemas podem ou não aparecer juntos, embora seja comum que uma criança com depressão infantil apresente sinais de ansiedade, inclusive tendo ataques de pânico.

Isso nada mais é do que um reflexo da nossa sociedade atual, sempre atarefada, apressada e estressada, repleta de adultos ansiosos. Esse estilo de vida reflete nas crianças, que também acabam desenvolvendo quadros de ansiedade.

É preciso lembrar que seu filho é apenas uma criança. É importante estudar e fazer cursos, mas também é fundamental reservar um tempo para que as crianças possam brincar ou até não fazer nada.

Outro fator a se considerar é que tristeza não é o mesmo que depressão. As crianças também têm dias ruins e de mau humor, assim como nós adultos. Em alguns dias é normal seu filho não querer se relacionar com outras pessoas.

O que vai indicar se isso está se tornando um problema é o contexto (houve algum possível gatilho?), a duração dos sentimentos (se já faz um mês é hora de se preocupar), a intensidade do quadro e a maneira que ele está afetando a vida da criança (mudança de apetite, deixar de frequentar escola, se divertir, ver os amigos, fazer o que mais gosta, entre outros).

Temos como evitar a depressão infantil?

Como as causas da depressão infantil são multifatoriais, sendo uma delas o fator genético, é difícil fazer a prevenção, mas não é impossível. Isso porque, sabemos que alguns fatores facilitam a depressão infantil e outros a previnem.

Os pais devem dar atenção aos filhos e investir na organização familiar e em criar um ambiente repleto de amor e segurança, evitando trazer fatos estressantes para a vida dos pequenos. Esse comportamento ajuda a evitar problemas de desenvolvimento e comportamento e, caso eles surjam, garantem uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. Além disso, não é só porque a criança vive em um ambiente favorável ou tem propensão genética que ela vai ter depressão infantil.

Os cuidados dos pais são fundamentais e eles também devem ficar atentos a mudanças de comportamento nos filhos para identificar algum problema. Se isso acontecer, é preciso recorrer a um psiquiatra ou psicólogo infantil para orientar corretamente os pais e o tratamento da criança.

Existe tratamento?

O tratamento existe e quanto mais cedo a depressão infantil for detectada, mais fácil de tratar. O diagnóstico correto também é essencial para a cura da criança, por isso, procure profissionais especializados. Na maior parte dos casos, a psicoterapia aliada ao apoio da família costuma ser suficiente para que a criança deixe essa fase difícil para trás, mas em casos mais graves o psiquiatra pode indicar o uso de medicamentos específicos para a faixa etária.

 

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